Este álbum duplo independente contém o talento e a vocação de Walter Pinheiro. Talento porque não se grava por acaso com nomes importantes da música instrumental brasileira. Vocação porque estes CDs são fruto de oito anos desde que se instalou em Walter Pinheiro a necessidade de gravar de trabalho árduo, de estudos e experimentações em meio às dificuldades inerentes aos instrumentistas, maltratados pela mídia voraz e muito interessada apenas na celebridade instantânea e oca.
Som na Brasa e Regional Brasileiro constituem o portfólio de composições de Waltinho, como é conhecido no meio musical, além de obras dos mestres Heraldo do Monte, Maurício Carrilho, Zeca Freitas e Zé Barbeiro e dos colegas Muari Vieira e Luiz Cavalcante. O material é amplo e desemboca em vertentes distintas porém próximas graças à versatilidade dos arranjos em síntese, música instrumental brasileira com pitadas de jazz e choro com pitadas de música instrumental brasileira. A fusão de elementos tradicionais com contemporâneos, ainda que estes compareçam com ênfase maior, dá o tom deste álbum.
Som na Brasa representa a gama de influências embutidas nos instrumentos de Waltinho, flauta e sax. Trata-se de música instrumental contemporânea, rótulo da indústria fonográfica para gente do gabarito de Hermeto Pascoal, uma das tais influências sintomática, portanto, a participação especial de Nenê Trio e Vinícius Dorin neste CD. A matéria-prima de Regional Brasileiro, como o próprio título assinala, é a sonoridade da música regional brasileira, executada basicamente por um regional de choro com a participação de instrumentistas mais do que especiais como Celsinho Silva, Luciana Rabello, Maurício Carrilho, Milton Mori, Roberta Valente e Zé Barbeiro.
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